Dra. Adriana El Haje

SGM (Síndrome Geniturinária da Menopausa): por que envolve muito mais do que ressecamento vaginal

SGM (Síndrome Geniturinária da Menopausa): por que envolve muito mais do que ressecamento vaginal

Durante anos, o desconforto íntimo na menopausa foi reduzido a uma palavra: ressecamento.
Hoje, a medicina reconhece que essa simplificação atrasou diagnósticos, perpetuou sofrimento silencioso e limitou a qualidade de vida de milhões de mulheres.

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) é um quadro clínico complexo, progressivo e multifatorial, que envolve alterações vaginais, urinárias, sexuais e emocionais. Entendê-la corretamente é o ponto de virada para um cuidado feminino mais completo, ético e eficaz.

Este artigo integra os conceitos desenvolvidos ao longo desta rede de conteúdos para explicar o que é a SGM, por que ela é subtratada e como abordagens modernas vêm transformando o cuidado da mulher no climatério e na pós-menopausa.

O que é SGM e por que o nome importa

A SGM é resultado direto da queda estrogênica que ocorre na menopausa e no pós-menopausa.
O termo substituiu denominações antigas por refletir melhor a amplitude do quadro clínico.

Ela envolve:

  • trato genital: vagina, vulva, clitóris
  • trato urinário: uretra e bexiga
  • função sexual
  • conforto e qualidade de vida

A mudança de nomenclatura foi proposta para ampliar o olhar clínico e evitar o erro de tratar apenas sintomas isolados.

Fonte: North American Menopause Society (NAMS)

Muito além do ressecamento: os sintomas reais da SGM

Reduzir a SGM ao ressecamento vaginal é ignorar a experiência real das pacientes.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • ardor e queimação íntima
  • dor durante a relação sexual (dispareunia)
  • sensação de aperto ou perda de elasticidade
  • infecções urinárias recorrentes
  • urgência e ardor urinário
  • diminuição do prazer sexual
  • impacto emocional, autoestima e relacionamento

Estudos indicam que até 70% das mulheres na pós-menopausa apresentam algum grau de SGM, mas menos da metade busca tratamento especializado.

Fonte: NAMS; Climacteric Journal

Por que a SGM é subdiagnosticada?

Existem três razões principais:

  1. Normalização do sofrimento
    Muitas mulheres acreditam que os sintomas fazem “parte da idade”.
  2. Falta de abordagem ativa
    Nem sempre o tema é investigado durante consultas ginecológicas de rotina.
  3. Visão fragmentada da saúde íntima
    Sintomas urinários, sexuais e vaginais são tratados separadamente, quando pertencem ao mesmo eixo fisiológico.

Esse cenário reforça a importância de uma abordagem integrada, como discutido nos artigos sobre laser íntimo, cirurgia íntima funcional e saúde íntima feminina como campo especializado.

O impacto estrutural da menopausa nos tecidos íntimos

A queda do estrogênio provoca alterações profundas:

  • afinamento do epitélio vaginal
  • redução de colágeno
  • diminuição da vascularização
  • alteração do pH vaginal
  • maior fragilidade tecidual

Essas mudanças explicam por que tratamentos superficiais frequentemente falham.
A SGM é um processo estrutural, não apenas sintomático.

Fonte: Journal of Sexual Medicine

Como a medicina moderna aborda a SGM hoje

O tratamento da SGM não é único nem padronizado. Ele deve ser individualizado, baseado em intensidade dos sintomas, histórico clínico e expectativas da paciente.

Entre as abordagens possíveis estão:

  • orientação e educação da paciente
  • terapias locais (hormonais ou não hormonais)
  • tecnologias como laser íntimo e radiofrequência
  • fisioterapia pélvica
  • mudanças comportamentais
  • acompanhamento contínuo

O laser íntimo, por exemplo, ganhou relevância por estimular colágeno e vascularização, sendo especialmente útil para mulheres que não podem ou não desejam terapia hormonal sistêmica — como aprofundado no artigo “Por que o laser íntimo se tornou uma ferramenta poderosa para a mulher na menopausa”.

Quando a cirurgia íntima entra no contexto da SGM

Em casos selecionados, a SGM pode coexistir com:

  • flacidez tecidual acentuada
  • alterações anatômicas significativas
  • impacto funcional persistente

Nessas situações, a cirurgia íntima pode ser parte de um plano maior, nunca uma solução isolada.
Essa visão integrada é um dos fatores que posicionaram o Brasil como referência mundial em cirurgia íntima feminina, conforme discutido no primeiro artigo desta série.

O papel do especialista em saúde íntima feminina

A complexidade da SGM exige mais do que protocolos genéricos.
Ela demanda:

  • escuta qualificada
  • avaliação detalhada
  • domínio anatômico e funcional
  • compreensão do impacto emocional
  • acompanhamento longitudinal

É por isso que centros especializados em saúde íntima feminina passaram a ocupar papel central no cuidado da mulher na menopausa.

A autoridade clínica, nesse contexto, não está em oferecer todas as soluções, mas em saber indicar o caminho mais seguro para cada mulher.

SGM como ponto de convergência desta árvore de conteúdos

A SGM conecta todos os temas desta rede:

  • explica a demanda crescente por cirurgia íntima funcional
  • contextualiza o uso criterioso do laser íntimo
  • evidencia riscos de abordagens hormonais mal conduzidas
  • reforça a necessidade de formação médica especializada
  • sustenta o reposicionamento da saúde íntima feminina como campo médico legítimo

Ela é o eixo clínico que organiza o cuidado moderno da mulher na menopausa.

Conclusão

A Síndrome Geniturinária da Menopausa não é um detalhe da menopausa.
Ela é um dos seus principais determinantes de qualidade de vida.

Tratá-la como ressecamento é insuficiente.
Ignorá-la é negligência silenciosa.
Compreendê-la em profundidade é o primeiro passo para um cuidado feminino mais humano, científico e responsável.

A medicina moderna avança quando amplia o olhar e a SGM exige exatamente isso.

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