Dra. Adriana El Haje

Por que o laser íntimo se tornou uma ferramenta poderosa para a mulher na menopausa

Por que o laser íntimo se tornou uma ferramenta poderosa para a mulher na menopausa

Durante muito tempo, os sintomas íntimos da menopausa foram tratados como algo “normal da idade”.
Ressecamento, dor, ardor, infecções recorrentes e desconforto urinário eram frequentemente minimizados ou tratados de forma isolada.

Hoje, a medicina sabe que essa abordagem é insuficiente.

Com o avanço da compreensão da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), surgiu também a necessidade de ferramentas terapêuticas mais eficazes, seguras e integradas. É nesse contexto que o laser íntimo passou a ocupar um papel relevante no cuidado da mulher no climatério e na pós-menopausa.

Este artigo explica por que o laser íntimo ganhou espaço, o que a ciência mostra até agora, quais são seus limites e como ele se integra a um plano de cuidado responsável em saúde íntima feminina.

Menopausa: o impacto íntimo vai além do ressecamento

A queda dos níveis de estrogênio na menopausa provoca alterações estruturais importantes no trato geniturinário feminino.

Essas alterações incluem:

  • afinamento do epitélio vaginal
  • redução da vascularização
  • diminuição da elasticidade
  • alteração do pH vaginal
  • redução da lubrificação natural

Esses fatores explicam por que a SGM envolve muito mais do que ressecamento, como discutido no artigo
“SGM: por que os sintomas íntimos vão além do ressecamento vaginal”.

Estudos indicam que até 50–70% das mulheres pós-menopausa apresentam sintomas geniturinários, mas uma parcela significativa não busca ajuda especializada
(Fonte: North American Menopause Society – NAMS).

O surgimento do laser íntimo como alternativa terapêutica

O laser íntimo surgiu como uma alternativa especialmente interessante para mulheres que:

  • não podem ou não desejam usar terapia hormonal
  • não obtiveram melhora com lubrificantes ou hidratantes vaginais
  • apresentam sintomas persistentes de SGM

A tecnologia atua estimulando:

  • neocolagênese
  • aumento da vascularização local
  • melhora da espessura e elasticidade do tecido vaginal

Esses efeitos ajudam a restaurar parcialmente a função do tecido, o que explica a melhora clínica relatada por muitas pacientes.

O que a ciência diz sobre o laser íntimo na SGM?

Estudos clínicos e revisões sistemáticas têm demonstrado resultados positivos, especialmente no curto e médio prazo.

Alguns achados relevantes:

  • Melhora significativa de sintomas como ressecamento, ardor e dispareunia
  • Aumento da espessura do epitélio vaginal
  • Melhora da qualidade de vida relatada pelas pacientes

Uma revisão publicada no Journal of Sexual Medicine mostrou melhora dos sintomas geniturinários após tratamento com laser vaginal em mulheres na pós-menopausa, especialmente quando bem indicado e realizado por profissionais capacitados.

Outro estudo publicado no Climacteric reforçou que o laser pode ser uma opção não hormonal viável para mulheres com SGM, embora destaque a importância de indicação criteriosa e acompanhamento médico.

Importante: a própria literatura médica reforça que o laser não substitui avaliação clínica, nem deve ser tratado como solução isolada.

Por que o laser não deve ser tratado como “solução milagrosa”

Um dos riscos do crescimento do laser íntimo foi a sua banalização comercial.

Na prática clínica séria, o laser:

  • não substitui avaliação ginecológica
  • não resolve todos os casos
  • não é indicado para todas as mulheres
  • não atua sozinho em quadros complexos

Ele funciona melhor quando integrado a um plano que pode envolver:

  • orientação hormonal
  • fisioterapia pélvica
  • mudanças de hábitos
  • acompanhamento contínuo

Essa visão integrada é essencial para não repetir erros históricos da medicina, como tratar sintomas isoladamente.

Conexão com cirurgia íntima e saúde funcional

Em alguns casos, especialmente quando há:

  • flacidez tecidual importante
  • alterações anatômicas relevantes
  • impacto funcional significativo

O laser íntimo pode ser complementar, mas não suficiente isoladamente.

Essa relação entre tecnologia, função e cirurgia foi um dos fatores que posicionaram o Brasil como referência mundial em saúde íntima feminina, conforme discutido no artigo
“Por que o Brasil se tornou o campeão mundial da cirurgia íntima feminina”.

O ponto central é compreender que tecnologia não substitui critério médico.

O papel do especialista em saúde íntima feminina

O sucesso do laser íntimo não está apenas na tecnologia, mas em quem indica, executa e acompanha.

A experiência clínica mostra que os melhores resultados ocorrem quando:

  • há diagnóstico correto de SGM
  • o laser é parte de um plano individualizado
  • a paciente entende limites e expectativas
  • existe acompanhamento longitudinal

É por isso que centros especializados em saúde íntima feminina passaram a integrar o laser como ferramenta clínica, e não como produto.

Ao longo dos últimos anos, essa abordagem integrada, baseada em ciência, prática clínica e acompanhamento real é o que sustenta o crescimento responsável desse recurso no cuidado da mulher na menopausa.

Laser íntimo e qualidade de vida feminina

Quando bem indicado, o laser íntimo pode:

  • reduzir desconforto íntimo
  • melhorar a função vaginal
  • favorecer a retomada da vida sexual
  • impactar positivamente autoestima e bem-estar

Esses ganhos, no entanto, devem sempre ser avaliados dentro do contexto da saúde global da mulher.

Menopausa não é apenas uma fase hormonal.
É uma fase de reorganização do corpo, que exige cuidado, escuta e conhecimento especializado.

Conclusão

O laser íntimo se tornou uma ferramenta poderosa no cuidado da mulher na menopausa porque responde a uma necessidade real: tratar os sintomas geniturinários com mais eficácia, segurança e qualidade de vida.

Mas sua força está no uso responsável, integrado e baseado em ciência.

Quando associado a avaliação especializada, o laser deixa de ser tendência e se torna recurso clínico legítimo no cuidado da saúde íntima feminina.

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